Qual e' o papel que a musica exerce na vida de cada um de nos? Eu levantei essa questao durante minhas caminhadas nas ruas estreitas e silenciosas de Poitiers e nas minhas conversas com os colegas franceses. A musica por aqui, no sentido cultural e antropologico, parece nao ter a mesma relevancia que tem as artes plasticas, por exemplo. Para quem vem do nosso Brasil brasileiro, a sensacao e' de que falta algo no ar.
Acredito que a musicalidade de cada um e' construida desde muito cedo, quando somos expostos involuntariamente as trilhas sonoras de nossos pais, parentes e amigos mais proximos. Tenho um prazer enorme em mergulhar no tempo cronologicamente e resgatar cada disco ou cada estilo musical que soou em meus ouvidos desde a infancia.
O primeiro contato consciente com uma combinacao de acordes que me fascinou aconteceu por volta dos oito anos de idade, nas idas ao colegio no fiat 147 branco da minha mae. No radio do carro tocava a AM Atalaia repleta de cancoes sertanejas de raiz, como Rolando Boldrin, por exemplo. As voltas do colegio na caravan do tio Gilberto eram animadas por Beatles e surf music dos anos cinquenta e sessenta.
Nao demorou muito para eu comecar a explorar a discoteca no minimo ecletica do meu pai - Ray Conniff, Elba Ramalho, Clara Nunes, Luiz Gonzaga, Roberto Carlos, Rite Lee, Eric Clapton, Julio Iglesias e ate' uma cantora paraguaia chamada Graziela. Por volta dos dez anos de idade adquiri minha primeira fita cassete - Blitz. Logo depois, meu pai me deu um walkman de aniversario acompanhado de uma fita do Elvis e a partir de entao meu universo musical se expandiu na mesma proporcao do rock brasileiro, que caminhava para seu auge de popularidade.
Uma epoca memoravel foi por volta dos dezesseis anos, quando comecei a me situar na cena independente do rock/pop britanico. A cada quinze dias, a livraria Guignone do aeroporto Afonso Pena recebia exemplares da Melody Maker, uma revista inglesa que trazia materias sobre o lado B da cena musical daquela regiao. Na ausencia da internet, algumas das poucas fontes de novidades sonoras eram a Melody e a galeria da vinte e quatro de maio no centro de Sao Paulo, de onde eu importava os melhores hits do rockabilly e punk tupiniquins.
A musica tomava enorme dimensao na minha vida quando resolvi aprender a tocar violao, ainda no ultimo ano do segundo grau. No inicio da universidade ja' tinha banda formada e havia passado de passivo receptor musical a dedicado compositor. Foram cerca de cinco anos tocando composicoes proprias com os Ultra Violetas, influenciado principalmente pelo shoegaze britanico. Curiosamente, quando me mudei para os Estados Unidos apos o termino da graduacao na UFPR, iniciei uma profunda viagem pela musica popular brasileira de todas as epocas. Na volta ao Brasil tres anos depois, a mudanca para o Rio de Janeiro aconteceu naturalmente, pelo menos em termos musicais, ja' que a sonoridade brasileira esta' presente de maneira intensa em todos os cantos dessa cidade.
No final de semana passado comprei um violao para cuidar da minha alma, como diria meu prezado amigo Scheinkmann. A silenciosa Poitiers oferece somente duas lojas de instrumentos musicais. Escolhi a Point d'Organ por ser a menor e mais aconchegante. Os precos variam de cinquenta a tres mil euros, mas nao e' uma relacao necessariamente direta com a qualidade do instrumento. Na verdade, o quesito essencial na compra de um violao e' bater os olhos e sentir se ele vai te acompanhar por muito ou pouco tempo. Ele acaba se transformando em um parceiro das horas alegres e tristes. O meu companheiro parece que vai ficar comigo por muito tempo. Inclusive passei essa semana tocando Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Tom Jobim, que provavelmente ficarao registrados como a trilha sonora de alguns dias dessa minha viagem ao velho mundo.
Por fim, sugiro a voces que facam uma introspeccao musical e sintam o quanto e' que uma combinacao de sons e silencio organizada ao longo do tempo pode influenciar suas vidas - qual e' o papel que a musica exerce sobre sua personalidade, seja na forma de arte ou exercicio intelectual. A impressao que tenho e' que, por mais poitevine que alguem seja, e' dificil escapar ileso dos efeitos inspiradores e poeticos causados pelas notas musicais. Afinal, musica vem do grego musike techne - a arte das musas.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
sábado, 17 de novembro de 2007
LOUCURAS NO CAMPO
Desde quarta-feira da semana passada a temperatura vem caindo e nesse final de semana ela literalmente despencou. A previsao de hoje e' -4 de minima e 5 graus centigrados de maxima. Algumas areas situadas ao longo do meu caminho diario para o laboratorio, a margem do rio Le Clain que cruza os arredores da cidade, me remetem as paisagens dos parques no auge do inverno curitibano - gramados brancos, chamines a todo vapor, telhados cobertos de gelo, arvores desfolhadas e neblina densa e rasteira.
Apesar de o inverno sequer ter iniciado, acho que o frio se encaixa perfeitamente em algumas epocas de nossas vidas e no meu caso e' a temperatura correta para a ocasiao. E' o momento de vestir os compactos e elegantes casacos, se enrolar nos cachecois de la e se afundar nas tocas quentinhas. De fato, a unica parte do meu corpo que sofre um pouco com as baixas temperaturas e' o nariz. Praticamente posso ouvir os prezados amigos me sugerindo comprar alguns metros quadrados de tecido para aquece-lo...
Frequentemente vejo alguns malucos que nao fazem a minima questao de se agasalhar. Alguns passeiam faceiros com finas camisas de pano e outros ate' de camisetas. Alias, depois de um pouco mais de tres meses aqui em Poitiers, comeco a identificar algumas loucuras da populacao local. Todo ser humano e' louco, desde sua concepcao ate' seu ultimo sopro de vida. Entretanto, dentro dos padroes limitantes das regras sociais em que estamos imersos, nada e' mais interessante do que observar algumas demonstracoes explicitas de loucuras. Em geral, os habitantes poitevines sao discretos e insossos, mas varios deles tem o costume de falar sozinhos. Outro dia acompanhei uma dessas auto-conversas dentro de um onibus que durou cerca de 30 minutos. A impressao que tive e' que o papo estava extremamente interessante. Tentei ouvir e entender um pouco, mas infelizmente o cidadao estava falando um pouco baixo demais e, alem disso, meu frances ainda nao chegou em um nivel suficientemente avancado para me intrometer em monologo alheio.
Uma coisa que tambem me chama a atencao e' a quantidade de fezes que encontra-se nas calcadas da cidade. E' preciso muito cuidado para nao atolar os pes nessas minas explosivas que parecem ser estrategicamente posicionadas nos caminhos mais movimentados. O pior de tudo e' que nem todas sao de cachorro ou de qualquer outro animal que pudesse evacuar a ceu aberto sem qualquer pudor. Boa parte delas e' de seres humanos. Ha' uma tendencia a pensar que sao obras de arte dos clochards. Se consultarmos o dicionario veremos que a definicao de clochard e' vagabundo. Mas na pratica vai um pouco alem disso. Eles vivem em comunidades e passam os dias vagando sem destino ou objetivo, quase sempre acompanhados de cachorros. Sobrevivem pedindo esmolas e mendigando por filosofia de vida. E' um pouco complicado para um brasileiro entender essa escolha, ja' que no nosso pais ha' uma multidao de pessoas que acaba virando clochard por falta de opcoes na vida. Mas cada louco com sua mania...
Eu costumava ouvir dizer que os franceses eram fumantes inveterados e nao tinham o costume de tomar muitos banhos. Em relacao a primeira, posso afirmar que procede. Inclusive os precos dos cigarros sao altissimos, cerca de 6 euros a carteira em media. Frequentemente vejo os estudantes fazendo seus proprios cigarrinhos economicos, com tabaco e papel comprados a varejo. Em relacao aos banhos, eu me aprofundaria um pouco mais na questao e diria que o povo daqui nao se simpatiza muito com a pratica da higiene corporal basica. E' dificil dizer quem toma banho ou nao, mas e' muito facil sentir a catinga de sovaco dentro dos recintos. Em geral, eles tambem nao fazem muita questao de cuidar dos dentes. Quase todas as manhas meu orientador academico me disfere um bonjour acompanhado por um sorriso escuro e um odor no minimo estranho. Ja' pensei em perguntar para ele de onde e' que vem aquele cheiro, mas achei melhor ficar na minha. Numa dessas e' capaz de eu passar por louco por querer me proteger do frio, ficar em silencio no onibus, fazer as necessidades nos toilettes, escovar os dentes e tomar banho todos os dias.
Apesar de o inverno sequer ter iniciado, acho que o frio se encaixa perfeitamente em algumas epocas de nossas vidas e no meu caso e' a temperatura correta para a ocasiao. E' o momento de vestir os compactos e elegantes casacos, se enrolar nos cachecois de la e se afundar nas tocas quentinhas. De fato, a unica parte do meu corpo que sofre um pouco com as baixas temperaturas e' o nariz. Praticamente posso ouvir os prezados amigos me sugerindo comprar alguns metros quadrados de tecido para aquece-lo...
Frequentemente vejo alguns malucos que nao fazem a minima questao de se agasalhar. Alguns passeiam faceiros com finas camisas de pano e outros ate' de camisetas. Alias, depois de um pouco mais de tres meses aqui em Poitiers, comeco a identificar algumas loucuras da populacao local. Todo ser humano e' louco, desde sua concepcao ate' seu ultimo sopro de vida. Entretanto, dentro dos padroes limitantes das regras sociais em que estamos imersos, nada e' mais interessante do que observar algumas demonstracoes explicitas de loucuras. Em geral, os habitantes poitevines sao discretos e insossos, mas varios deles tem o costume de falar sozinhos. Outro dia acompanhei uma dessas auto-conversas dentro de um onibus que durou cerca de 30 minutos. A impressao que tive e' que o papo estava extremamente interessante. Tentei ouvir e entender um pouco, mas infelizmente o cidadao estava falando um pouco baixo demais e, alem disso, meu frances ainda nao chegou em um nivel suficientemente avancado para me intrometer em monologo alheio.
Uma coisa que tambem me chama a atencao e' a quantidade de fezes que encontra-se nas calcadas da cidade. E' preciso muito cuidado para nao atolar os pes nessas minas explosivas que parecem ser estrategicamente posicionadas nos caminhos mais movimentados. O pior de tudo e' que nem todas sao de cachorro ou de qualquer outro animal que pudesse evacuar a ceu aberto sem qualquer pudor. Boa parte delas e' de seres humanos. Ha' uma tendencia a pensar que sao obras de arte dos clochards. Se consultarmos o dicionario veremos que a definicao de clochard e' vagabundo. Mas na pratica vai um pouco alem disso. Eles vivem em comunidades e passam os dias vagando sem destino ou objetivo, quase sempre acompanhados de cachorros. Sobrevivem pedindo esmolas e mendigando por filosofia de vida. E' um pouco complicado para um brasileiro entender essa escolha, ja' que no nosso pais ha' uma multidao de pessoas que acaba virando clochard por falta de opcoes na vida. Mas cada louco com sua mania...
Eu costumava ouvir dizer que os franceses eram fumantes inveterados e nao tinham o costume de tomar muitos banhos. Em relacao a primeira, posso afirmar que procede. Inclusive os precos dos cigarros sao altissimos, cerca de 6 euros a carteira em media. Frequentemente vejo os estudantes fazendo seus proprios cigarrinhos economicos, com tabaco e papel comprados a varejo. Em relacao aos banhos, eu me aprofundaria um pouco mais na questao e diria que o povo daqui nao se simpatiza muito com a pratica da higiene corporal basica. E' dificil dizer quem toma banho ou nao, mas e' muito facil sentir a catinga de sovaco dentro dos recintos. Em geral, eles tambem nao fazem muita questao de cuidar dos dentes. Quase todas as manhas meu orientador academico me disfere um bonjour acompanhado por um sorriso escuro e um odor no minimo estranho. Ja' pensei em perguntar para ele de onde e' que vem aquele cheiro, mas achei melhor ficar na minha. Numa dessas e' capaz de eu passar por louco por querer me proteger do frio, ficar em silencio no onibus, fazer as necessidades nos toilettes, escovar os dentes e tomar banho todos os dias.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
EXPERIENCIAS
... como diria Oscar Wilde - "experiencia e' o nome que alguem deu a seus erros". Pois entao aqui inicio um registro cibernetico de meus erros, por meio do conteudo deste novo blog intitulado l'assommoir. Emprestei a ideia de montar o blog de meu parceiro aqui de Poitiers, o Daniel. Acho que pode ser uma maneira agradavel dos amigos acompanharem um pouco da minha viagem na vida e esse especial momento aqui na Franca. Provavelmente vou discorrer livremente sobre ideias aleatorias, sem papas na lingua ou travas na mente ou no coracao. Tambem sera' um incentivo a mais para eu encontrar tempo e inspiracao para registrar abertamente no papel alguns pensamentos que normalmente acabam se dissolvendo no meu dia-a-dia. Portanto, nao se surpreendam com frases ou paragrafos nonsenses por que a viagem esta' somente comecando...
O titulo do blog foi inspirado no livro homonimo de Emile Zola, um classico da literatura francesa. O que me agrada nesse titulo e' o fato de ele ter sido uma palavra utilizada na linguagem popular da Paris do seculo XIX e nao ter uma traducao literal para o ingles. Ou seja, e' uma palavra legitimamente francesa, que designava os lugares onde bebidas destiladas baratas eram vendidas. Ela tambem era associada ao ambiente e as pessoas que afogavam suas magoas bebendo ate' perder os sentidos. Eu tomei a liberdade de criar meu proprio sentido para palavra e utiliza-lo no subtitulo do blog - "semblante de um lugar onde a magoa se escorre e os copos se levantam em nome da liberdade de espirito".
Foi em nome da liberdade de espirito que abandonei a pequena e pitoresca Poitiers durante a primeira semana desse mes e passei dias fantasticos em Paris. Eu estava comecando a achar que a cultura francesa se resumia aos costumes provincianos poitevines. Acabei indo a Paris sem muitas expectativas e me surpreendi com a cidade, especialmente pela atmosfera artistica e cosmopolita de varias regioes, em particular de um bairro chamado Belleville. Longe dos milhares de turistas que se acumulam todos os dias nos belos pontos turisticos da cidade, este bairro transmite um sentimento mais humano e honesto. E' um lugar multicultural, onde prevalece a mistura de franceses e estrangeiros de varias origens. E' um reduto de artistas e musicos que originalmente se mudaram para la' atraidos pelos alugueis mais baratos e acabaram permanecendo ate' os dias de hoje.
As noites em Belleville sao vivas e cheias de energia. E foi exatamente la' onde houve o show do The Wedding Present, em um bar muito legal chamado La Maroquinerie. Inicialmente, minha ideia de ir a Paris era principalmente em funcao desse show especial, comemorativo dos 20 anos do album debut da banda - George Best. Sou um grande admirador tanto do wedding quanto do cinerama, a outra banda do David Gedge. Curti bastante o momento, como diria o Daniel, cantei e dancei varias cancoes do George Best, algumas do Watusi e algumas tambem do Cinerama.
Depois do dia do show ainda passei o final de semana na cidade. Retornei a Poitiers na segunda-feira, quase uma da manha. O problema foi acordar cedo para voltar a rotina do laboratorio algumas horas depois. Naquela semana demorei um pouco para me reacostumar ao ritmo mais cadenciado de vida aqui do interior. Porem, os dias se passaram e tudo voltou a ser mais ou menos como era antes...
Amanha e' sexta-feira, o dia mais esperado da semana. Teremos uma comemoracao de aniversario do meu outro parceiro, o Mauricio, regada a muito vinho frances e cerveja belga. Provavelmente vai acontecer uma festinha na cozinha da residencia universitaria Michel Foucault... A proposito, o Michel Foucault nasceu aqui em Poitiers. O Daniel, que e' historiador e filosofo, disse que ele deve ter se mandado assim que tomou conta do tamanho do buraco medieval em que ele se encontrava... Brincadeiras a parte, outro filosofo que tambem passeou bastante por aqui foi o Rene Descartes. Quem sabe na proxima postagem eu nao fale um pouco sobre como foi a festa e sobre a decadence avec elegance do cartesianismo...
O titulo do blog foi inspirado no livro homonimo de Emile Zola, um classico da literatura francesa. O que me agrada nesse titulo e' o fato de ele ter sido uma palavra utilizada na linguagem popular da Paris do seculo XIX e nao ter uma traducao literal para o ingles. Ou seja, e' uma palavra legitimamente francesa, que designava os lugares onde bebidas destiladas baratas eram vendidas. Ela tambem era associada ao ambiente e as pessoas que afogavam suas magoas bebendo ate' perder os sentidos. Eu tomei a liberdade de criar meu proprio sentido para palavra e utiliza-lo no subtitulo do blog - "semblante de um lugar onde a magoa se escorre e os copos se levantam em nome da liberdade de espirito".
Foi em nome da liberdade de espirito que abandonei a pequena e pitoresca Poitiers durante a primeira semana desse mes e passei dias fantasticos em Paris. Eu estava comecando a achar que a cultura francesa se resumia aos costumes provincianos poitevines. Acabei indo a Paris sem muitas expectativas e me surpreendi com a cidade, especialmente pela atmosfera artistica e cosmopolita de varias regioes, em particular de um bairro chamado Belleville. Longe dos milhares de turistas que se acumulam todos os dias nos belos pontos turisticos da cidade, este bairro transmite um sentimento mais humano e honesto. E' um lugar multicultural, onde prevalece a mistura de franceses e estrangeiros de varias origens. E' um reduto de artistas e musicos que originalmente se mudaram para la' atraidos pelos alugueis mais baratos e acabaram permanecendo ate' os dias de hoje.
As noites em Belleville sao vivas e cheias de energia. E foi exatamente la' onde houve o show do The Wedding Present, em um bar muito legal chamado La Maroquinerie. Inicialmente, minha ideia de ir a Paris era principalmente em funcao desse show especial, comemorativo dos 20 anos do album debut da banda - George Best. Sou um grande admirador tanto do wedding quanto do cinerama, a outra banda do David Gedge. Curti bastante o momento, como diria o Daniel, cantei e dancei varias cancoes do George Best, algumas do Watusi e algumas tambem do Cinerama.
Depois do dia do show ainda passei o final de semana na cidade. Retornei a Poitiers na segunda-feira, quase uma da manha. O problema foi acordar cedo para voltar a rotina do laboratorio algumas horas depois. Naquela semana demorei um pouco para me reacostumar ao ritmo mais cadenciado de vida aqui do interior. Porem, os dias se passaram e tudo voltou a ser mais ou menos como era antes...
Amanha e' sexta-feira, o dia mais esperado da semana. Teremos uma comemoracao de aniversario do meu outro parceiro, o Mauricio, regada a muito vinho frances e cerveja belga. Provavelmente vai acontecer uma festinha na cozinha da residencia universitaria Michel Foucault... A proposito, o Michel Foucault nasceu aqui em Poitiers. O Daniel, que e' historiador e filosofo, disse que ele deve ter se mandado assim que tomou conta do tamanho do buraco medieval em que ele se encontrava... Brincadeiras a parte, outro filosofo que tambem passeou bastante por aqui foi o Rene Descartes. Quem sabe na proxima postagem eu nao fale um pouco sobre como foi a festa e sobre a decadence avec elegance do cartesianismo...
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