Depois do inicio agitado de viagem, com direito a perda de voo e tudo mais, as coisas entraram nos eixos e nos encontramos no aeroporto Charles de Gaulle no horario marcado. Em seguida fomos para Paris e nos hospedamos em Montmartre. Ainda tivemos o final de tarde para passear e curtir um por do sol sensacional na cidade. A noite caminhamos mais um pouco na regiao do Sena, jantamos no Quartier Latin e voltamos para o hotel preparar as malas para o dia seguinte. O destino era Lisboa, onde passariamos o dia e em seguida iriamos de carro para Porto.

Chegando em Lisboa saimos para um reconhecimento do territorio. Caminhamos na parte baixa da cidade nas margens do Rio Tejo e paramos na Rua do Comercio onde uma porcao de artistas expunha seus trabalhos a ceu aberto. A noite comemos um bacalhau assado e ouvimos fado no Bairro Alto. O dono do restaurante nos disse que era descendente do Marechal Floriano Peixoto. Alias, a impressao que tive e' que todo portugues que se preze se diz parente de alguem famoso ou importante. Um outro patricio que viriamos a encontrar no decorrer da viagem disse que seu avo tinha sido o construtor do sambodromo do Rio de Janeiro.
Depois de dirigirmos um pouco mais de 300 km de estradas perfeitas chegamos a Porto. Como de costume, pegamos o metro e saimos conhecer o centro da cidade. Cruzamos uma das pontes em direcao a Vila Nova de Gaia e voltamos pelo Bairro da Ribeira ate' encontrarmos um restaurante discreto e aconchegante onde saboreamos mais um bacalhau com vinho do Porto. Nessa noite preparamos os mapas para no dia seguinte irmos de encontro as raizes da familia Andrade.
Por volta das 10 da manha estavamos na estrada A-1 em direcao ao litoral norte portugues. A medida que deixavamos as estradas principais, os nossos mapas nao forneciam em detalhes a direcao que deveriamos seguir. Chegamos a pegar uma estrada que nos levaria a Braga, saindo muito do nosso itinerario. Nesse momento fizemos o retorno e continuamos a viagem na base da intuicao, seguindo as placas de transito que estavam disponiveis, ate' chegar ao ponto em que uma delas indicava Moreira da Maia em frente. Ainda meio em duvida entramos a direita como indicava outra sinalizacao. Nao demorou um minuto para meu pai bradar empolgadamente - e' essa a casa!!! Sem querer tinhamos acabado de passar em frente da casa de campo da familia do meu avo. Eu parei o carro logo a frente, meu pai tirou do bolso a foto preta e branca de 1920 e fomos verificar detalhe por detalhe a construcao. A casa agora e' um restaurante e dois modulos foram adicionados nas paredes laterais. Reconheco que na epoca do meu avo ela era muito mais bonita e elegante, mas alguns detalhes da construcao continuam intactos, como a sacada do segundo andar, algumas janelas e o contorno do telhado.

A proxima parada era Povoa de Varzim. Continuamos na mesma pegada, sem mapas e somente seguindo as sinalizacoes. A ideia que eu tinha de Povoa era baseada nas fotos antigas que meu avo me mostrou, de uma cidade litoranea tranquila, com praias bonitas, sossegadas e espacosas. Essa ideia desmoronou assim que chegamos la'. Depois de tantas decadas de progresso, Povoa de Varzim se transformou mais ou menos em uma gigantesca praia de Copacabana, porem bem organizada e urbanizada, com predios de no maximo 6 andares. Pelo menos as aguas do oceano Atlantico e as areias das praias continuam as mesmas.
Um pouco antes de irmos ate' a Rua Santos Minho 48, que ja' tinha sido localizada no mapa, paramos para tomar um cafe' e observar o mar e as pessoas. Havia alguns surfistas que se arriscavam a entrar nas aguas frias do inverno portugues. Nessa hora fiquei imaginando o seu Jorge jovem, segurando um long board enorme, observando o mar de frente e se preparando para pegar umas ondas. Esta' certo que na epoca dele nao tinham inventado o surf ainda, mas com certeza uns jacares ele ja' pegava...
Realmente meu avo morava muito perto do oceano, ha' cerca de 4 ou 5 quadras de distancia. Nao e' a toa que ele gosta tanto do mar. A casa numero 48 da Rua Santos Minho continua la' - bem conservada. Parece que os azulejos foram trocados recentemente. Tiramos uma porcao de fotos e conversamos com a vizinhanca sobre os antigos moradores. Infelizmente nao encontramos ninguem que pudesse lembrar da presenca da familia Andrade no comeco do seculo passado. De todo modo, as fotos serao levadas para Curitiba e entregues para o seu Jorge rever a casa de onde ele saiu na decada de 20 e nunca mais retornou.
No meio da noite voltamos para Lisboa e no dia seguinte para Franca. Agora o seu Dal Bianco e a dona Aide devem estar dentro de um trem, continuando a viagem rumo a Berna, na Suica. Em seguida eles irao a Berlim e no proximo final de semana retornam a Paris, onde os encontrarei para a despedida. Espero que essa parte da viagem seja tao boa quanto foi o nosso mergulho nas raizes portuguesas...




